
Expo 2025
Explore os registros produzidos nas oficinas de fotografia e narrativa visual do
Programa Foto & Tal, realizadas nos bairros de Belo Horizonte em 2025.
Cada imagem revela o olhar sensível de participantes de diferentes turmas retratando territórios, pessoas e histórias que inspiram pertencimento, cultura e diversidade.
Fotografias feitas com celular, criatividade e afeto que transformam o cotidiano em arte.
TURMA CCVN


Mickael Santiago
No Jardim Europa, em Venda Nova, Belo Horizonte, cada rua revela histórias que costuro pela minha lente. O bairro, conhecido por sua vitalidade e força popular, guarda uma riqueza de texturas, contrastes e memórias que traduzem a alma da periferia.
As árvores secas contra o céu azul vibrante tornam-se esculturas do tempo, símbolos de resiliência no meio do concreto. Nas paredes grafitadas, nas marcas do cotidiano e nas plantas que brotam do asfalto, a cidade fala e convida a olhar além do óbvio.
O parquinho silencioso, cheio de lembranças de infância, e o “cidadão de muro” que observa a vida passar revelam uma narrativa urbana autêntica, pulsante e humana. Meu trabalho é um convite para enxergar a beleza dos detalhes, reconhecer as histórias escondidas e celebrar a força de um bairro que espelha a experiência humana: complexa, viva e fascinante.


May Franco
Saí para caminhar pelo bairro em busca das luzes do dia, das pessoas e das texturas que coexistem ao meu redor.
Em ruas que nunca havia percorrido, encontrei paisagens que revelaram realidades próximas, mas antes invisíveis.
Cada grafite apagado, cada cor desbotada, cada planta brotando no concreto e cada mudança repentina no cenário urbano refletiam fragmentos de mim mesma.
No crescimento acelerado do bairro, com árvores cedendo lugar ao concreto, reconheci meus próprios cortes, renovações e processos internos. Percebi que, assim como o bairro, também me recriei inúmeras vezes.
O que parecia íntimo e particular tornou-se universal diante da vida que pulsa ao meu redor.


Camila Diniz
O Jardim Europa, em Belo Horizonte, revela um bairro que respira entre a modernização urbana e a simplicidade rural. Suas ruas guardam marcas sutis deixadas pelos moradores roupas penduradas, caminhos de madeira, grafismos da natureza e cenas cotidianas que narram vidas reais.
As fotografias mostram um território onde a natureza resiste, onde animais ainda pastam ao lado de prédios em construção e onde pontes conectam tempos e modos de viver. O bairro cresceu, mas preservou sua alma: um lugar onde a humanidade permanece visível nos detalhes e a vida segue no ritmo de quem valoriza o essencial.


Luiz Fernando Silva
O bairro Copacabana, nascido por volta de 1968, guarda lembranças que resistem ao tempo e formam uma memória coletiva viva. Entre sorrisos de vizinhos, amizades de calçada e pipas coloridas no céu, o cotidiano revela a essência de uma comunidade que cresce sem perder suas raízes.
Minha narrativa fotográfica nasce desse afeto: da pracinha da igrejinha, ponto central do bairro, onde encontros, histórias e vínculos se entrelaçam.
Ali, pássaros cruzam jardins improvisados, flores caem como poemas silenciosos e a vida simples revela sua beleza escondida.
Copacabana é mais que cenário é um lugar onde laços se fortalecem nos comércios, nas praças e nos gestos cotidianos. Mesmo diante das perdas, a memória permanece viva.
Ao narrar o bairro, percebo que ele também conta a minha própria história.


Ana Luiza da Silva Pereira
Poética se dá através da pesquisa fundamentada na minha ancestralidade que envolve os povos indígenas e a diáspora africana na Amazônia.


Tatiana Salomé Gouvêa
Entre algo de louco, feliz e alegre, cria-se uma estória poética; um amigo imaginário.
Ele aparece em um tempo breve, mas não menos importante que os outros. Ele espera a oportunidade de existir e prosperar. É um amigo que tem nossa história projetada nos nossos desejos. De um jeito ou de outro somos um “nós”. Formado por um EU e um ELE, sem rótulos, sem qualquer outra designação.


Maria do Porto
Escolher uma história em meio a tantas memórias parece pouco, mas em Venda Nova cada detalhe revela um mundo. Ao chegar ao bairro, tudo era novidade: vacas, carroças, animais pelas ruas e o barro que marcava os dias.
O que nunca mudava era a missa de domingo momento que unia famílias, fortalecia amizades e sustentava a busca por uma vida melhor.
Cercada por diferentes congregações religiosas, a comunidade cresceu com propósito: formar pessoas, cultivar valores e construir “gente de bem”. A fé alinhavou a vida do bairro, alimentando corpo e espírito e criando um espaço onde todos contribuíam e recebiam. Nas dificuldades, a oração se tornou força, esperança e caminho para realizar sonhos. Hoje, essas histórias seguem vivas, disponíveis a quem quiser conhecer as raízes espirituais e humanas de Venda Nova.

TURMA CCVSR


Anelise Lenoir Maia Alvarenga
A exposição “Onde o Barreiro Vive, o Barreiro Sorri” é um convite a enxergar o Barreiro para além de suas ruas e construções, como um território vivo, atravessado por histórias, memórias e reconstruções cotidianas.
Por meio de três imagens, destacamos espaços que fazem parte do imaginário coletivo do bairro. Mais do que pontos de referência, esses lugares se tornam cenários de vida: onde famílias se encontram, onde a fé se renova, onde a cidade desacelera e se reconhece em gestos simples de cuidado e convivência.
Cada fotografia propõe uma escuta visual. São registros que não falam apenas de paisagens, mas do que pulsa dentro delas: o abraço que acolhe, o riso que ecoa, a esperança que insiste. A exposição convida o olhar a perceber o Barreiro como um lugar de pertencimento, onde os laços sobrevivem ao tempo e se refazem em cada esquina, em cada memória compartilhada.


Drielli Vitória Siqueira Romanelli
A exposição “Onde o Barreiro Vive, o Barreiro Sorri” é um convite a enxergar o Barreiro para além de suas ruas e construções, como um território vivo, atravessado por histórias, memórias e reconstruções cotidianas.
Por meio de três imagens, destacamos espaços que fazem parte do imaginário coletivo do bairro. Mais do que pontos de referência, esses lugares se tornam cenários de vida: onde famílias se encontram, onde a fé se renova, onde a cidade desacelera e se reconhece em gestos simples de cuidado e convivência.
Cada fotografia propõe uma escuta visual. São registros que não falam apenas de paisagens, mas do que pulsa dentro delas: o abraço que acolhe, o riso que ecoa, a esperança que insiste. A exposição convida o olhar a perceber o Barreiro como um lugar de pertencimento, onde os laços sobrevivem ao tempo e se refazem em cada esquina, em cada memória compartilhada.


Gabriela Moreira Santana Melo
“Sempre à espreita” é a série fotográfica que traduz meu olhar exploratório sobre meu território. Ao buscar criar uma narrativa visual sobre o bairro, percebi que minha identidade não estava nas cenas familiares registradas no Betânia, mas nos espaços limiares que sempre me atraíram: lugares abandonados, vazios, inacabados e considerados “feios” ou desinteressantes pela maioria.
Minha fotografia nasce da curiosidade por esses não-lugares regiões sem identidade definida, onde muitas vezes não nos sentimos pertencentes, mas que dizem muito sobre a cidade e sobre nós. Em mais uma caminhada pelo bairro, sigo atenta a esses detalhes inusitados que revelam histórias silenciosas. Esse é meu território: o da observação constante, sempre à espreita, mas ainda protegida pelas barreiras familiares do lugar onde vivo.


Ki Jão
Moro no bairro Marajó, na região oeste de Belo Horizonte, desde 2006. Cresci aqui e, como fotógrafo, busco registrar as transformações e a beleza real de um lugar aparentemente comum. Inspirado pela frase “até no lixão nasce flor”, retrato tanto o encanto quanto os desafios do bairro.
Minhas imagens mostram ruas simples, o asfalto gasto, fios cruzando o céu e a natureza resistindo em árvores floridas. Um ipê rosa ao lado de uma Kombi azul traz cor e vida à cena, enquanto dois cachorros abandonados revelam a vulnerabilidade presente no cotidiano. Minhas fotos não escondem imperfeições: elas revelam a verdade de um bairro que carrega sua própria força, identidade e humanidade.


Joao Victor Esteves de Paula
Nos últimos dois anos, grande parte da minha vida aconteceu dentro de um ônibus espaço onde observei o território que transito diariamente e onde também nasceu meu amor pela fotografia. Muitas das minhas imagens foram feitas de dentro do coletivo, tendo o ônibus como cenário, elemento de composição ou até protagonista, o que rendeu brincadeiras de amigos que me chamam de “busólogo”.
Cada passagem paga revela uma nova história: pessoas, trajetos e momentos que se transformam em pequenas narrativas urbanas. As três fotos apresentadas refletem essa experiência três fragmentos da vida cotidiana vistos pela janela ou pelo corredor do ônibus, onde meu olhar fotográfico encontrou significado e poesia.


Kimberly Leslie de Moura
O bairro São João, conhecido como Barreirinho e famoso pela plantação de cebolinha, encanta moradores com sua vista privilegiada da serra e um cotidiano marcado pela vida rural. Cabras sobre carros, cavalos acompanhando o caminho e tucanos entrando pela janela tornam os dias mais leves e surpreendentes. É um lugar acolhedor, cheio de histórias e lembranças das famílias que faziam piqueniques na
Serra do Rola Mola.
Mas a urbanização crescente ameaça esse equilíbrio. As queimadas criminosas têm prejudicado o ar, as nascentes e a fauna local animais que antes visitavam as casas agora quase não aparecem. Moradores enfrentam problemas respiratórios e veem a serra perder sua força. São João ainda é um bairro de beleza singular, mas a natureza pede socorro e exige proteção urgente.


Lucas Rodrigues Cabral Valério
As imagens desta série revelam não só as cores e formas do bairro Pompéia, mas também meus primeiros passos na fotografia. Ao caminhar por ruas que percorro diariamente, enxerguei tudo como se fosse pela primeira vez: silhuetas, luzes, cores e cenários que mudam conforme o sol se esconde ou ilumina intensamente o céu.
O bairro, simples e pacato, fala por meio de seus grafites, pixos e das ladeiras que tiram o fôlego de qualquer morador. Cercado pela imponente Serra do Curral, Pompéia oferece um encontro entre natureza e metrópole, convidando a uma vida tranquila em meio à força da paisagem e ao movimento urbano.


Theo Xavier Renault Baeta de Oliveira
Meu projeto busca desvendar a história por trás do nome do bairro Vale do Jatobá
através de três elementos-chave: a casa original da COHAB (que marca o início da
ocupação humana), o jatobá centenário (que doa seu nome ao lugar) e a geografia de
vale (que define sua paisagem). Juntas, as fotos mostram como passado, natureza e
território se entrelaçam para criar a identidade desse lugar.

TURMA CCPE


Aline Gomes
Heliópolis, “Cidade do Sol”, nasceu nos anos 1940 a partir do loteamento de antigos sítios rurais como Embiras, Rocinha e Carvoeiro, onde predominavam a agricultura e a produção de carvão. Localizado na região Norte de Belo Horizonte e antes pertencente a Santa Luzia, o bairro foi concebido como um espaço residencial tranquilo, um típico bairro-dormitório.
Por décadas sem áreas de lazer planejadas, Heliópolis ganhou em 2007 a Praça Padre Lage, conquistada pelo Orçamento Participativo e nomeada em homenagem ao sacerdote e político Francisco Lage Pessoa. A praça se tornou o centro da vida comunitária: ponto de encontro, espaço de convivência, atividades físicas, brincadeiras, área pet e eventos culturais.
Ao amanhecer, a luz dourada do sol revela sua vitalidade; ao entardecer, tons alaranjados desenham silhuetas em movimento; e à noite, a praça permanece viva, acolhendo conversas, risos e memórias. É a sala de estar de Heliópolis símbolo de afeto, diversidade e espírito coletivo.


Aline Kelly
O bairro Carlos Prates se destaca pela excelente localização e pela variedade de opções de transporte. A região conta com a Estação Carlos Prates do metrô, que conecta Eldorado ao Vilarinho passando pelo Centro, além de diversas linhas de ônibus que facilitam o acesso a bairros vizinhos e ao centro da cidade. Antigamente atendido por bondes, hoje o bairro é cortado por ônibus, carros e caminhões, especialmente na movimentada Rua Padre Eustáquio.
Com ruas que passaram por mudanças de sentido e com a presença da Av. Pedro II um dos principais corredores de
Belo Horizonte o bairro possui fluxo eficiente de veículos, transporte público e pedestres. Próximo ao Centro, também favorece deslocamentos por bicicleta, aplicativos ou até mesmo a pé. Assim, Carlos Prates une tradição e ótima mobilidade, garantindo praticidade no dia a dia dos moradores.


Alysson
Cresci no bairro Padre Eustáquio, onde cada rua guarda uma história. Meus avós contavam como tudo começou a se desenvolver nos anos 1930, quando a região tinha poucas casas e ruas de terra. Com o tempo, o bairro ganhou comércio, escolas, praças e se tornou um dos principais pontos da região Noroeste de Belo Horizonte.
Hoje, ao caminhar pelo bairro, vejo como ele equilibra tradição e modernidade: padarias antigas e vizinhos de décadas convivem com novos prédios e um comércio diversificado. Mesmo com as transformações, o Padre Eustáquio mantém seu espírito comunitário e acolhedor.
O que mais me orgulha é perceber que o bairro cresceu sem perder sua essência. É um lugar onde passado e presente se encontram, e viver aqui significa fazer parte de uma história construída por gerações que acreditaram no potencial desse pedaço especial de Belo Horizonte.


Eliana
O ano era 1967.
Chegamos em um caminhão de mudanças ali
no bairro Jardim Inconfidência.
Não havia casa, apenas algumas estacas
fincadas, e papai cobriu com folhas de
bananeira. Éramos nove pessoas. Não havia
nenhuma infraestrutura, e mamãe me colocou
no Grupo Escolar Guia Lopes, onde aprendi a
ler e escrever.
Hoje temos rua asfaltada e linha de ônibus.
Meus sinceros agradecimentos a cada
instrutora e instrutor cinegrafista, por mais
esta oportunidade de aprender um pouco
mais.
Obrigada aos meus colegas de turma.

Alysson
Cresci no bairro Padre Eustáquio, onde cada rua guarda uma história. Meus avós contavam como tudo começou a se desenvolver nos anos 1930, quando a região tinha poucas casas e ruas de terra. Com o tempo, o bairro ganhou comércio, escolas, praças e se tornou um dos principais pontos da região Noroeste de Belo Horizonte.
Hoje, ao caminhar pelo bairro, vejo como ele equilibra tradição e modernidade: padarias antigas e vizinhos de décadas convivem com novos prédios e um comércio diversificado. Mesmo com as transformações, o Padre Eustáquio mantém seu espírito comunitário e acolhedor.
O que mais me orgulha é perceber que o bairro cresceu sem perder sua essência. É um lugar onde passado e presente se encontram, e viver aqui significa fazer parte de uma história construída por gerações que acreditaram no potencial desse pedaço especial de Belo Horizonte.


Emília
No início da oficina, foi difícil imaginar o que minhas fotos poderiam revelar sobre meu bairro, já que muitas das minhas vivências aconteceram fora dele. Mas essa dúvida despertou em mim o desejo de explorar mais a região onde passo grande parte do meu tempo. Ao caminhar pelos arredores durante um mês, fiquei surpresa com o quanto aprendi.
O que mais me chamou atenção e o que decidi registrar foi a força dos pequenos negócios locais. Conversar com os proprietários revelou histórias de vidas transformadas pelo bairro: pessoas que chegaram de outras cidades, moradores que nunca quiseram se mudar e quem encontrou acolhimento e crescimento graças à comunidade.
Antes, eu achava pouco relevante conhecer profundamente o lugar onde vivo, mas agora me sinto mais conectada do que nunca com minha vizinhança. Espero que o bairro continue transformando vidas através dos pequenos comércios, assim como transformou a minha. Meu pai cresceu aqui, eu também, e agora compreendo o motivo e desejo fazer o mesmo pelos meus filhos um dia.


Gabriela Ribeiro
As obras foram realizadas no bairro Coqueiros, na região Noroeste de Belo Horizonte, área que surgiu a partir da antiga Fazenda dos Coqueiros. O loteamento começou em 1977 e, em 1980, o bairro foi oficialmente aprovado. Com a chegada das famílias, o cenário rural deu lugar a moradias, comércios e melhorias em transporte, educação, saúde e infraestrutura.
Entre os marcos da transformação local, destaca-se a Escola Municipal Luigi Toniolo, que teve papel fundamental no desenvolvimento da comunidade. Outro ponto importante é a Pista de Skate Coqueiros, conquistada após anos de luta iniciada em 2004 e aprovada apenas em 2021 tornando-se um espaço democrático de convivência, batalhas de rima, encontros e memórias entre jovens.
O CEVAE, criado em 2008, também é essencial para o bairro ao revitalizar uma área degradada, promover educação ambiental, agricultura urbana e atividades comunitárias, como ginástica, esportes, crochê e um grande jardim com vegetação nativa. Juntos, esses espaços contam a história de um bairro que evoluiu sem perder suas raízes e fortaleceu sua identidade comunitária.


Ella Caramati
O bairro Caiçaras, onde vivi por dois anos, revela um forte sentimento de pertencimento. Ao caminhar por suas ruas, seja no Alto ou no Adelaide, encontrei marcas de afeto que definem a identidade do lugar. Cachorros aprendendo a passear, projetos comunitários como uma biblioteca ativa em uma loja de construção, festas de bairro, crianças jogando futebol e corredores ocupando as calçadas mostram a força da convivência.
No trajeto do trabalho para casa, pequenas flores me lembram o parque ecológico, enquanto recebo bom dia de pessoas que nunca me viram antes. Entre conversas sobre livros e atendentes que lembram meu nome, sinto que o Caiçaras é um bairro onde qualquer pessoa pode escolher pertencer e construir laços reais com a comunidade.


Katya
Sou Katya moradora do bairro Jardim Inconfidência na Regional Noroeste, próximo ao bairro São José. Este bairro foi uma fazenda até 1940, nem tinha rua, e os donos eram Zé de Melo e irmão. Foi loteado e passou a ser ocupado por compradores dos lotes. Na rua Davi de Rabelo havia um e onde a população local lavava suas roupas. Na Rua Batista de Andrade, conhecida como rua de terra, tinha um chafariz onde os moradores iam lavar suas roupas e vasilhas. O bairro girava em torno do córrego e depois do chafariz pois não tinha água encanada. Hoje tem ônibus, 8401, tem água encanada, ruas asfaltadas e lindas casas. Na rua Davi de Rabelo ainda mina água. No final dos anos 70 foi implantado o Conjunto Alípio de Melo.


Lu Bento
Na Rua Padre Eustáquio, passos antigos ainda ecoam onde antes passavam tropeiros. As casas coloridas, mesmo desbotadas pelo tempo e marcadas pela pichação, preservam histórias que resistem. O bairro mistura passado e presente: quintais de ontem convivem com prédios de hoje, como se ambos tomassem café juntos na mesma varanda.
O Santuário da Saúde e da Paz, de 1943, permanece como símbolo de devoção e esperança, observando a praça e guardando a fé da comunidade. Entre ruas arborizadas e um comércio sempre ativo, Padre Eustáquio equilibra tranquilidade e vitalidade, sendo ao mesmo tempo lar acolhedor e cidade vibrante.
É um território onde lembrança e futuro se cruzam, refletindo o movimento de Belo Horizonte que sorri para o tempo.


Luciane Veiga
No Coração Eucarístico, cada espaço revela um diálogo entre fé, memória e vida comunitária. Logo na entrada da PUC Minas, a cruz iluminada e a igreja se erguem como marcos de espiritualidade, mas também como sinais de pertencimento acadêmico: lembram que a universidade, mais do que instituição de ensino, é parte viva do bairro, moldando sua rotina, sua paisagem e sua identidade.
Poucos passos adiante, o Colégio Santa Maria Minas, herdeiro do antigo Colégio São Bento, guarda os traços de uma memória educacional que atravessa gerações. Entre pátios e jardins, permanece o eco das vozes de alunos e professores, testemunho de um bairro que se construiu sobre a força da educação e sobre o elo entre passado e presente.

Emília
No início da oficina, foi difícil imaginar o que minhas fotos poderiam revelar sobre meu bairro, já que muitas das minhas vivências aconteceram fora dele. Mas essa dúvida despertou em mim o desejo de explorar mais a região onde passo grande parte do meu tempo. Ao caminhar pelos arredores durante um mês, fiquei surpresa com o quanto aprendi.
O que mais me chamou atenção e o que decidi registrar foi a força dos pequenos negócios locais. Conversar com os proprietários revelou histórias de vidas transformadas pelo bairro: pessoas que chegaram de outras cidades, moradores que nunca quiseram se mudar e quem encontrou acolhimento e crescimento graças à comunidade.
Antes, eu achava pouco relevante conhecer profundamente o lugar onde vivo, mas agora me sinto mais conectada do que nunca com minha vizinhança. Espero que o bairro continue transformando vidas através dos pequenos comércios, assim como transformou a minha. Meu pai cresceu aqui, eu também, e agora compreendo o motivo e desejo fazer o mesmo pelos meus filhos um dia.


A Lu Que Tirou
No Coração Eucarístico, cada espaço revela um diálogo entre fé, memória e vida comunitária. Logo na entrada da PUC Minas, a cruz iluminada e a igreja se erguem como marcos de espiritualidade, mas também como sinais de pertencimento acadêmico: lembram que a universidade, mais do que instituição de ensino, é parte viva do bairro, moldando sua rotina, sua paisagem e sua identidade.
Poucos passos adiante, o Colégio Santa Maria Minas, herdeiro do antigo Colégio São Bento, guarda os traços de uma memória educacional que atravessa gerações. Entre pátios e jardins, permanece o eco das vozes de alunos e professores, testemunho de um bairro que se construiu sobre a força da educação e sobre o elo entre passado e presente.


Miura Foto
Um bairro plural. Entre áreas verdes, casas e prédios, destaca-se também pelo comércio automotivo, que imprime luxo e sofisticação às suas ruas. Tranquilo na essência, o Estoril entrou na minha trajetória como sinônimo de qualidade de vida, ao permitir que o tempo antes gasto no trânsito fosse redirecionado ao que realmente importa: estar com quem amamos.
Mesmo assim, o trânsito ainda marca presença no bairro especialmente nos horários de pico, quando suas ruas se enchem de movimento no vai e vem diário. Reflexo de sua posição estratégica, o Estoril conecta bairros residenciais a importantes zonas comerciais. É um espaço de contrastes, onde convivem silêncio e fluxo, abundância e carência uma paisagem urbana viva, em constante transformação.


Marina Mesquita
Ao chegar a um bairro novo, percebi que carregava mais bagagens do que imaginava pesos simbólicos que me fizeram refletir sobre o que vale a pena levar e o que preciso deixar para trás para abrir espaço para o novo. Foi assim que encontrei o curso de Narrativas Fotográficas, um reencontro com minha própria essência: registrar histórias com sensibilidade e olhar atento ao entorno.
Ao pesquisar meu bairro, descobri que ele nasceu como área rural planejada e, com o tempo, tornou-se uma região nobre. Essa investigação me levou aos arredores, onde uma única rua conecta dois mundos: o bairro Serra e o Aglomerado da Serra, maior favela de Belo Horizonte, marcado por ocupação sem planejamento, mas cheio de resistência e história.


Nay Teles
A história do meu bairro é marcada pela força e resiliência do meu pai, que por 30 anos enfrentou enchentes para proteger nossa casa. Morávamos no terreiro da minha avó, em um beco onde meu pai e o líder comunitário Fernando Sampaio construíram uma canaleta para impedir que o esgoto da parte alta inundasse nosso lar.
Em 2012, o projeto Vila PAC trouxe esperança, mas a prefeitura apenas demoliu a casa da minha avó e deixou entulhos que se acumularam por cinco anos. Sem acesso adequado e sofrendo diariamente, buscamos nossos direitos em todas as regionais, sem resposta. A virada veio quando acionamos a Defesa Civil no dia seguinte à visita, o muro desabou, confirmando o risco ignorado pelo poder público.
Durante a pandemia, organizei uma vaquinha, vendi roupas e, com apoio de vizinhos, contratamos caminhões e trator para remover os entulhos. A televisão apareceu, a rua começou a surgir e, depois de 13 anos de espera, finalmente temos acesso digno à nossa casa.
A Vila Apolônia é um exemplo de resistência e união. Mesmo sem apoio inicial do poder público, a mobilização dos moradores transformou o território, garantindo mais dignidade e qualidade de vida para a comunidade.

Emília
No início da oficina, foi difícil imaginar o que minhas fotos poderiam revelar sobre meu bairro, já que muitas das minhas vivências aconteceram fora dele. Mas essa dúvida despertou em mim o desejo de explorar mais a região onde passo grande parte do meu tempo. Ao caminhar pelos arredores durante um mês, fiquei surpresa com o quanto aprendi.
O que mais me chamou atenção e o que decidi registrar foi a força dos pequenos negócios locais. Conversar com os proprietários revelou histórias de vidas transformadas pelo bairro: pessoas que chegaram de outras cidades, moradores que nunca quiseram se mudar e quem encontrou acolhimento e crescimento graças à comunidade.
Antes, eu achava pouco relevante conhecer profundamente o lugar onde vivo, mas agora me sinto mais conectada do que nunca com minha vizinhança. Espero que o bairro continue transformando vidas através dos pequenos comércios, assim como transformou a minha. Meu pai cresceu aqui, eu também, e agora compreendo o motivo e desejo fazer o mesmo pelos meus filhos um dia.


Paulo Ventura
A sequência de fotografias revela a evolução cultural da minha região.
A torre de metal, que já foi símbolo de modernidade por abrigar a sede de uma rádio que recebia artistas internacionais, iluminava a cidade com seus shows de luzes nas festas de fim de ano.
Apesar das influências externas e da passagem de grandes nomes da música, a cultura local sempre falou mais alto. Mesmo com poucos recursos, artistas da comunidade foram protagonistas de mobilizações sociais através das rodas de samba e pagode, das feiras de artesanato, das oficinas de grafite e de tantas outras expressões criativas.
Hoje, o aglomerado é reconhecido nacionalmente como berço de grandes artistas. Esse reconhecimento só existe graças à chama acesa por aqueles que, com dedicação e resistência, mostraram que a cultura da comunidade jamais poderia ser apagada pelos preconceitos enfrentados ao longo do tempo.


Pedro Henrique
A sequência de fotografias revela a evolução cultural da minha região.
A torre de metal, que já foi símbolo de modernidade por abrigar a sede de uma rádio que recebia artistas internacionais, iluminava a cidade com seus shows de luzes nas festas de fim de ano.
Apesar das influências externas e da passagem de grandes nomes da música, a cultura local sempre falou mais alto. Mesmo com poucos recursos, artistas da comunidade foram protagonistas de mobilizações sociais através das rodas de samba e pagode, das feiras de artesanato, das oficinas de grafite e de tantas outras expressões criativas.
Hoje, o aglomerado é reconhecido nacionalmente como berço de grandes artistas. Esse reconhecimento só existe graças à chama acesa por aqueles que, com dedicação e resistência, mostraram que a cultura da comunidade jamais poderia ser apagada pelos preconceitos enfrentados ao longo do tempo.


Raquel
O Centro de Saúde Padre Eustáquio, inaugurado em 1990 na Rua Humaitá, recebeu esse nome em homenagem ao beato Padre Eustáquio missionário holandês conhecido como “pai dos pobres e enfermos” pela dedicação aos doentes e necessitados. Sua primeira sede foi construída na Vila São Vicente, ainda no bairro Padre Eustáquio, em um espaço pequeno onde os atendimentos ocorriam por uma janela, sem contato direto entre usuários e profissionais.
Em 2000, a unidade passou por uma grande reforma, permitindo o acesso completo do público e dos funcionários. Já em 2023, um novo prédio foi inaugurado na Rua Carioca, transferindo o serviço para uma área nobre do bairro. Essa mudança gerou insatisfação entre os moradores da Vila São Vicente, que organizaram um abaixo-assinado alegando dificuldade de acesso ao novo local. Como resposta, a prefeitura alterou o itinerário do ônibus 9412, buscando melhorar a mobilidade dos moradores até o novo centro de saúde.


Rodneia Duarte
Descobri o bairro Minas Brasil em 2010, uma extensão do Padre Eustáquio. Pequeno e acolhedor, com pracinha, escola, muitas casas e acesso ao Anel Rodoviário, o bairro recebeu esse nome por causa da seguradora Minas Brasil, antiga proprietária da área. O povoamento começou em 1958 e se consolidou em 1966.
Em 2021, ao procurar um novo apartamento, queria permanecer perto do Padre Eustáquio e manter a vista para a Serra do Curral, meu horizonte preferido. Encontrei no Minas Brasil o que buscava: janelas com vista para a serra, vento fresco das montanhas e o brilho da cidade ao anoitecer. Registrar o bairro em fotos foi um convite a enxergá-lo com mais poesia o azul intenso do céu, o sol forte e cenas que revelam sua essência.
A primeira imagem mostra a Praça Capela Nova, cheia de vida. A segunda destaca minha rua, onde árvores resistem ao concreto. A terceira captura a Serra do Curral pela minha janela, lembrando que o horizonte sempre está à espera.

TURMA CCP


Alice
O bairro Lua Nova da Pampulha, em Contagem, surgiu recentemente entre Xangri-lá e Nacional, próximo a Ribeirão das Neves. Sua urbanização rápida surpreendeu os primeiros moradores, que viram o silêncio, os pássaros e o farfalhar das árvores serem substituídos pelo barulho constante de obras. Tucanos antes comuns agora quase não aparecem, e o horizonte verde que encantava quem chegou ao bairro vem sendo tomado por prédios.
No condomínio de casas onde moro um dos poucos que ainda preserva áreas verdes o sol já não entra mais pela janela devido a um edifício construído rápido demais, que invadiu tanto a paisagem quanto a privacidade. Em volta, novos condomínios seguem subindo enquanto antigas casas são demolidas, e até as galinhas que viviam nos terrenos vizinhos desapareceram. As crianças, antes brincando no campinho improvisado, hoje evitam o local por causa do barulho insuportável.
O que já foi um refúgio verde está se transformando em um cenário cinza e sufocante. Fica a pergunta: valeu a pena trocar o jardim por esse novo mundo?


Danubia Souza
Um bairro é mais do que ruas e construções. Ele ganha vida através das relações entre seus moradores e dos espaços que compartilham. No bairro Urca, a loja do meu pai simboliza ancestralidade e pertencimento. Minha família vive aqui há muitos anos, fazendo parte da memória coletiva que reconhece e valoriza as famílias antigas.
Dona Vania, trabalhadora da reciclagem, representa a força do presente. Ela mostra como as pessoas transformam o cotidiano e revelam que cada indivíduo carrega uma história que compõe o tecido cultural do bairro. Já o córrego em frente de casa é um marco importante, marcado por tragédias, mas também por encontros, conversas e vínculos que mostram a relação profunda entre moradores e território.
A identidade do Urca nasce desse encontro entre memória, trabalho e convivência. É nas pessoas, em suas histórias e vivências, que o bairro encontra sua autenticidade e seu sentido.
se misturam para criar autenticidade, a história que meu bairro conta é através das pessoas que o compõe, onde cada uma traz sua marca nas vivências do dia a dia.


Davydson Raymond
O cortejo da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário do bairro Urca é mais que um desfile: é uma celebração viva de fé, cultura e ancestralidade. Desde a saída da sede, cada passo, tambor e cor das vestes revela a devoção do grupo e a força de um legado que atravessa gerações. O encontro com outra guarda reforça identidade, união e resistência da comunidade.
A energia espiritual e a alegria do cortejo emocionam quem acompanha, destacando a importância de manter vivas as tradições afro-brasileiras. No Urca, fé e cultura caminham juntas, preservando a história e celebrando a riqueza dos costumes que moldam o bairro.


Diego Vargas
A história do meu bairro se mistura com a minha própria trajetória. Revisitar as ruas onde vivi por 41 anos foi uma viagem no tempo, unindo amadurecimento e nostalgia. A primeira foto, Verticalização, mostra como o antigo Campo do Ferrugem deu lugar a prédios que transformaram o cenário onde passei a infância brincando na calçada.
A segunda imagem, Tudo Nosso, retrata imóveis comerciais abandonados pela especulação imobiliária. Ali ficava o Fliperama do Jorge, um dos lugares mais felizes da minha infância. Já Arena Xavantes revela o espaço onde dois postes serviam de traves improvisadas e onde desenvolvi meu talento como goleiro.
Registrar o Santa Mônica foi reviver lembranças reais em um bairro que moldou quem sou. Um tributo à vida vivida nas ruas, em um tempo em que tudo era mais simples e profundamente humano.


Gaby Laís
O Alto Vera Cruz é o bairro onde guardo minhas lembranças mais queridas. Foi na casa da minha avó que vivi a infância e, mesmo depois de sua partida, continuo neste lugar que conta histórias em cada esquina. A entrada do bairro pela Avenida dos Andradas, ao lado do Rio Arrudas, sempre foi o sinal de que eu estava chegando em casa, misturando movimento, simplicidade e acolhimento.
O tanque antigo no quintal da minha avó, hoje marcado pelo tempo, foi cenário de brincadeiras e também de encontros entre vizinhas que lavavam roupas, compartilhavam conversas e criavam laços. Já o campo de futebol da minha rua marcou minha infância e continua vivo, reunindo novas gerações. Da grade, observo as casas coloridas da favela e sinto a força da vida, da resistência e da esperança.
O Alto Vera Cruz é feito de memórias, lutas e afeto. Um lugar onde a simplicidade se transforma em pertencimento e onde cada espaço guarda a história de quem vive, cresce e sonha aqui.


Guilherme Soares
O Jardim Vitória já foi chão de areia e áreas verdes, mas hoje é marcado por casas, prédios e lembranças que resistem ao tempo. Logo na entrada, a antiga passarela divide dois mundos: de um lado, ruas por onde passam apenas carcaças de metal; do outro, casas e comércios movimentados por moradores e veículos. O que antes era cercado por mata agora é dominado pelo concreto e pela fumaça.
No centro do bairro, a vida pulsa intensa. Comércios, sacolões, bares e farmácias preenchem as ruas estreitas e coloridas. O cheiro do espeto de churrasco se mistura ao sertanejo matinal, criando a atmosfera alegre do cotidiano, mesmo entre buzinas, motores e frutas expostas ao sol.
Na outra extremidade, porém, o cenário muda. Ali, um túnel antigo, rústico e quase místico conecta o Jardim Vitória ao bairro vizinho. Feito de pedra e casco, ele permite a passagem de uma pessoa ou veículo por vez, como um portal que guarda histórias silenciosas.
O Jardim Vitória é um bairro de contrastes, onde passado e presente convivem e moldam um território cheio de vida.


Ilana
Entre movimento e transformação: um olhar poético sobre caminhos, mudanças e pertencimento.
Deslocar-se do familiar e do concreto abre espaço para questionar o que permanece e o que se transforma. Nada é constante. Folhas caem e renascem, trancas se abrem e se fecham, e até os insetos mudam seus corpos para se adaptar ao caminho. Ao vagar por ruas sem memória, surge a ambiguidade entre retorno e descoberta, entre fim e início.
Meu olhar captura o efêmero, o riso que se encerra, o sol que se perde entre as serras, as pequenas celebrações do cotidiano. Uso cores, tons e composições para transformar o ordinário do desconhecido em narrativa. Nada me prende. Continuo em movimento, em metamorfose, seguindo sem trajeto fixo. O futuro me chama, e ele me espera em Ouro Preto.


Marcus Sousa
Espaço do nao ser no bairro Ouro Preto: reflexões sobre exclusao, cidade e convivência
No caminho cotidiano até a universidade, passo por casas, jardins e flores que compõem a organização da cidade. Ruas asfaltadas, sinais, padarias e pontos de onibus mostram que a cidade funciona como um sistema. Porém, fora desse sistema existe tudo aquilo que ele nega, oprime ou tenta invisibilizar. É o espaço do excluido, do marginalizado, da vítima. É o espaço do nao ser.
Na diáspora de certas vidas, as calcadas ganham outro sentido. Onde eu caminho, o outro descansa a cabeça. Pela manha, vejo cobertores dobrados que mostram que o dia ja começou para ele. Ao anoitecer, vejo os mesmos cobertores cumprindo sua funcao. O lixo, que para o sistema é descartavel, para outro se torna possibilidade.
Entre tantas histórias do bairro Ouro Preto, entre tantas vidas que se encaixam no sistema, entre jardins e flores bem cuidadas, sigo refletindo: de que forma meu caminho se cruza com o caminho deles?


Rogério Francisco
São Francisco: história, território e identidade de um bairro que espelha caminhos
O bairro São Francisco, na Regional Pampulha, nasceu ao redor do Campus da UFMG e se tornou destino de migrações urbanas ligadas ao trabalho, ao estudo e à expansão da capital mineira. Hoje funciona como elo entre o centro, a Pampulha nobre, a lagoa, o estadio e a universidade. É lar de moradores antigos e também de novos habitantes que constroem suas próprias histórias ali.
Ao contar a história do bairro, conto a minha. São Francisco é café, lua, discos, entardeceres. É o lugar onde me reencontro, leio, ouço e me atento ao mundo. Carrego o nome Francisco e carrego também esse território que moldou meu primeiro lar. Entre ipes, cores, aromas e frutos, encontro identidade e sentido no espaço e no tempo.
São Francisco é história viva. É origem, cuidado e beleza para quem o vive.


Samuel
Ipiranga: encontros de tempos e histórias em um bairro que guarda memória e identidade
Ao investigar que história o bairro Ipiranga conta, busquei nos elementos do cotidiano pistas sobre seu passado e seu presente. Uma rua chamou minha atenção: casas iguais em estrutura, mas diferentes na forma como foram transformadas pelos moradores. Construídas há muito tempo seguindo o mesmo padrão, elas preservam traços do passado enquanto revelam as escolhas e memórias individuais de cada família. São paredes que guardam histórias coletivas e pessoais.
No fim dessa rua, um encontro simbólico entre tempos: um asilo e uma creche frente a frente, separados por uma igreja imponente. Ali, passado, presente e futuro se cruzam de maneira evidente. Percebi então que o bairro Ipiranga conta uma história sobre os ciclos da vida, os encontros e reencontros que o tempo permite. Um bairro que preserva memórias, inspira novas histórias e segue sendo recontado a cada geração.

































































































































